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O GRUPO

O que os gerou, hein Geraldos?

S

omos um grupo de teatro, de amigos, uma família de artistas que nunca deixa de lembrar, uns aos outros, que não se forma um ator sem se reformar um homem.

Juntos, sob o mesmo sol, nós, aprendizes de ser humano e com o ofício de mostrar o homem no homem, dependemos de uma humilde comunhão, entre nós e com o público, para continuarmos acreditando no teatro que nos gerou. Aspiramos a um teatro popular. Não ao populista, nem ao pop. Mas ao popular que, tornando-nos próximos ao público, faz-nos capazes de causar o riso e o choro sinceros, compartilhados entre estranhos sem deixarem de ser íntimos.

Porque, afinal de contas, não é bom que o homem esteja só.

O teatro não está em si mesmo; pelo contrário, serve-se de todas as linguagens: gestos, sons, palavras, fogo, gritos. Encontra-se exatamente no ponto em que o espírito tem necessidade de uma linguagem para produzir suas manifestações.

Sim, somos miseráveis, mas onde não há jardim as flores nascem de um secreto investimento em formas improváveis, formas sem forma que passam, e se a dor não as pode conhecer, talvez possa sonhá-las o amor…

  • HISTÓRICO

    Em 2007, um grupo de formandos do curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiu juntar-se em torno do desejo comum por um teatro popular, para um público extenso. Surgiam, então, Os Geraldos, entre a erudição da pesquisa acadêmica e a simplicidade poética do teatro popular.

    As origens remontam às atividades do núcleo de pesquisa “Dramaturgia das Ações Cênicas: O tipo cômico na construção da poética do ator”, vinculado ao “Núcleo de Estudos em Poéticas da Ação Cênica”, grupo de pesquisa vinculado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

    Um dos tantos aspectos que torna o grupo coeso, à época e até hoje, é a inquietude diante do perigo de uma pesquisa encerrar o valor em si. O sentido do estudo, para Os Geraldos, está especialmente na possibilidade de iluminar o caminho artístico. Mesmo entre livros, o grupo jamais perde de vista que o artista só existe por causa do seu público.

    O primeiro trabalho foi o espetáculo Números (2007), criação dramatúrgica coletiva de esquetes com inspiração clownesca e direção de Roberto Mallet. Desde então, encanta e emociona os públicos que o recebem, tendo conquistado vários prêmios, como o de melhor espetáculo, no Festival de Teatro da Região Metropolitana de Campinas (2008), que foi o primeiro de que participou, e, mais recentemente, os de melhor espetáculo, melhor conjunto de atores e melhor figurino no 24º Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau (FITUB), em 2011. Atendendo a pedidos de pessoas que se manifestavam ao fim do espetáculo, o grupo criou o Números para crianças (2011), uma adaptação próxima à versão original que se vale da atmosfera lúdica que lhe é característica para atingir diretamente o público infantil.

    Em 2009, estreou seu segundo espetáculo: Hay Amor!, criação dramatúrgica a partir do tema “a gente é brega quando ama”, com direção de Verônica Fabrini. Evocando que haja amor, sempre e por tudo, o espetáculo já conquistou, além da aclamação do público, importantes prêmios, como no 14º Festival International Du Théâtre Universitaire d’Agadir (Marrocos), em que recebeu o prêmio especial do júri e o prêmio máximo do festival.

    Realizou, em maio de 2011, um projeto contemplado pelo ProAC – Promoção do Acesso à Cultura e Formação de Público em SP, na cidade de Bebedouro, com apresentação dos espetáculos e realização de oficinas, obtendo retorno bastante expressivo do público.

    Em 2012 realizou a I Jornada Teatral: entre a pesquisa acadêmica e a construção poética, evento de duas semanas que reuniu apresentações de espetáculos, mostra de vídeos, palestras e demonstrações técnicas, realizados na UNICAMP e no CIS-Guanabara, em Campinas-SP. Uma temporada com o espetáculo Números no espaço dos Parlapatões, em São Paulo-SP e tem circulado com seus três espetáculos, principalmente pelo interior do Estado de São Paulo, realizando apresentações em diversas unidades do SESI-SP – através dos Editais Locais, SESCs, Mosaico Teatral, Festivais e Mostras de Teatro. No final do ano realizou sua segunda turnê pelo Nordeste, dessa vez com o espetáculo Hay Amor!, passando por Campina Grande-PB, Maceió-AL e Recife-PE.

    Iniciou 2013 com temporadas em São Paulo-SP, dos espetáculos Hay Amor! e Números para crianças, na sala Carlos Miranda, dentro do Projeto de Ocupação dos Coletivos da UNICAMP, financiado pelo Edital de Ocupação da FUNARTE. Participou, em junho de 2013, do Circuito Sesc das Artes com o espetáculo Números, circulando por nove cidades do interior paulista. Realizou ainda, em julho do mesmo ano,  temporadas dos espetáculos Números e Números para crianças no interior Paulista em um Projeto financiado pelo Prêmio Funarte Petrobrás Carequinha de estímulo ao circo (FUNARTE).

    Durante essa trajetória, o grupo já passou por mais de 40 cidades, em apresentações que percorreram seis estados brasileiros, além da participação e premiação em festivais nacionais e internacionais em países como Marrocos, Argentina e Peru, atingindo mais de 14 mil pessoas.